SPLS promove webinar “Saúde da Mulher”: literacia, prevenção e bem-estar
No dia 30 de abril de 2026, a Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS) dedicou a sua atenção a uma temática fundamental: a Saúde da Mulher. Pelas 21h00 (Hora de Lisboa), especialistas de diversas áreas reuniram-se num debate online que foi muito além dos tópicos convencionais.

Reveja as intervenções
Uma abordagem integrada e holística
Sob o mote de que “cuidar de si é essencial”, o evento abordará a saúde feminina sob diversos prismas:
- Estilos de vida saudáveis: O impacto das escolhas diárias no bem-estar a longo prazo.
- Prevenção: Foco em Infeções Sexualmente Transmissíveis (IST) e a importância do diagnóstico precoce.
- Segurança e Dignidade: Um espaço de reflexão e literacia sobre o combate à violência.
Conheça o painel de especialistas
- Prof. Rosalia Pascoa: Médica
- Prof. Begona S. José: Psicóloga
- Prof. Iris Almeida: Psicóloga
- Enf. Catarina Esteves Santos: Enfermeira
Coordenação e moderação: A sessão será conduzida pela Prof. Cristina Vaz de Almeida (Presidente da SPLS) e pela terapeuta Mariana Fonseca (Vice-Presidente da SPLS).
Detalhes do evento
- Data: 30 de abril de 2026
- Hora: 21h00 (Lisboa)
- Organização: Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS)
- Objetivo: Promover mais saúde e mais qualidade de vida através da informação e do empoderamento.
O webinar propõe uma abordagem integrada da saúde feminina, articulando estilos de vida saudáveis, prevenção das infeções sexualmente transmissíveis e combate à violência contra as mulheres. Esta perspetiva é cientificamente robusta porque reconhece que a saúde das mulheres não depende apenas de decisões individuais, mas também de condições sociais, económicas, culturais, relacionais e ambientais que favorecem ou limitam escolhas saudáveis, acesso a cuidados, diagnóstico precoce, proteção e autonomia. A literacia em saúde surge, neste contexto, como uma competência crítica para aceder, compreender, avaliar e utilizar informação de saúde, mas também para pedir ajuda, reconhecer risco, negociar relações seguras e transformar conhecimento em ação.
1. Estilos de vida saudáveis: escolhas diárias, ambientes protetores e saúde ao longo do ciclo de vida
Os estilos de vida saudáveis constituem um eixo central da prevenção das doenças crónicas não transmissíveis, incluindo doença cardiovascular, diabetes, obesidade, alguns cancros, doenças respiratórias, depressão e perda funcional. A evidência internacional mostra que a atividade física regular, a alimentação equilibrada, a redução do consumo de álcool, a cessação tabágica, o sono adequado, a gestão do stress e a participação social são determinantes fundamentais da saúde das mulheres em todas as fases da vida: adolescência, idade reprodutiva, gravidez, climatério, menopausa e envelhecimento. A Organização Mundial da Saúde estima que 31% da população adulta mundial, cerca de 1,8 mil milhões de pessoas, não cumpra as recomendações mínimas de atividade física; as mulheres são, em média, menos ativas do que os homens em cerca de cinco pontos percentuais, e 85% das raparigas adolescentes não atingem os níveis recomendados de atividade física, contra 78% dos rapazes (Organização Mundial da Saúde [OMS], 2024, s. p.).
A obesidade e o excesso de peso continuam a representar uma das principais ameaças globais à saúde metabólica e cardiovascular. Em 2022, 2,5 mil milhões de adultos tinham excesso de peso e mais de 890 milhões viviam com obesidade; globalmente, 44% das mulheres adultas apresentavam excesso de peso. A OMS sublinha que a obesidade não deve ser entendida apenas como resultado de escolhas individuais, mas como doença crónica, multifatorial e influenciada por sistemas alimentares, urbanização, condições socioeconómicas, atividade física e ambientes obesogénicos (OMS, 2025, s. p.).
O álcool e o tabaco permanecem fatores de risco prioritários. Em 2019, o consumo de álcool esteve associado a cerca de 2,6 milhões de mortes no mundo, incluindo 600 mil mortes em mulheres; o álcool associa-se a mais de 200 doenças, lesões e condições de saúde, incluindo doença hepática, doença cardiovascular, depressão, cancro da mama, violência interpessoal e riscos durante a gravidez (OMS, 2024, s. p.). Na Região Europeia da OMS, o tabaco mantém particular relevância entre mulheres e jovens: mais de 40% das mulheres fumadoras adultas do mundo vivem nesta região, correspondendo a cerca de 62 milhões de mulheres, e as raparigas dos 13 aos 15 anos apresentam as prevalências de uso de tabaco mais elevadas a nível mundial no seu grupo etário (OMS/Europa, 2026, s. p.).
Em Portugal, os dados comparativos da OCDE indicam um perfil misto. A prevalência de tabagismo diário foi de 14,2%, próxima da média da OCDE; o consumo de álcool foi superior à média, com 11,9 litros per capita face a 8,5 litros na OCDE; 56% dos adultos portugueses não realizavam atividade física suficiente, valor muito acima da média da OCDE de 30%; e a obesidade autorreportada foi de 16%, inferior à média da OCDE de 19%. Estes dados mostram que, para Portugal, a inatividade física e o consumo de álcool devem ser prioridades claras em literacia em saúde, prevenção e políticas públicas de promoção de ambientes saudáveis (Organisation for Economic Co-operation and Development [OECD], 2025, s. p.).
A leitura científica para o webinar é clara: “cuidar de si” não deve ser apresentado como responsabilidade isolada da mulher, mas como processo de capacitação, apoio social, acesso a informação compreensível e criação de oportunidades reais para escolhas saudáveis. A intervenção em literacia em saúde deve traduzir recomendações em ações concretas: caminhar mais, reduzir sedentarismo, conhecer riscos do álcool, reconhecer sinais de sofrimento psicológico, valorizar o sono, fazer rastreios, aderir à vacinação e construir redes de suporte.
2. Doenças e infeções sexualmente transmissíveis em mulheres: prevenção, diagnóstico precoce e redução do estigma
Embora a expressão “doenças sexualmente transmissíveis” continue a ser usada, a designação tecnicamente mais adequada em saúde pública é “infeções sexualmente transmissíveis” (IST), porque muitas infeções são assintomáticas durante longos períodos. A OMS estima que mais de um milhão de IST curáveis sejam adquiridas diariamente no mundo por pessoas entre os 15 e os 49 anos, sendo a maioria assintomática. Em 2020, ocorreram cerca de 374 milhões de novas infeções por clamídia, gonorreia, sífilis ou tricomoníase.
A infeção por papilomavírus humano (HPV) está associada a mais de 311 mil mortes por cancro do colo do útero por ano, e estima-se que cerca de 300 milhões de mulheres tenham infeção por HPV, causa primária do cancro do colo do útero (OMS, 2025, s. p.).
Nas mulheres, as IST são particularmente relevantes porque podem comprometer a saúde sexual e reprodutiva, aumentar o risco de infertilidade, doença inflamatória pélvica, gravidez ectópica, dor pélvica crónica, complicações obstétricas, transmissão vertical, sífilis congénita, maior vulnerabilidade ao VIH e cancros associados ao HPV. A literacia em saúde é decisiva porque muitas mulheres não procuram cuidados por ausência de sintomas, medo, vergonha, violência relacional, baixa perceção de risco ou barreiras no acesso a serviços confidenciais. Assim, a prevenção deve integrar educação sexual baseada em evidência, uso consistente de preservativo, vacinação contra HPV e hepatite B, testagem regular, diagnóstico precoce, tratamento atempado de parceiros e combate ao estigma.
Na União Europeia e Espaço Económico Europeu, os relatórios do ECDC mostram uma tendência preocupante de aumento das IST bacterianas. Em 2023, foram notificados 230.199 casos confirmados de clamídia, com taxas mais elevadas nas mulheres dos 20 aos 24 anos; 96.969 casos de gonorreia, com aumento de 31% face a 2022; e 41.051 casos de sífilis, representando um aumento de 13% face a 2022 e de 100% face a 2014. Na gonorreia, a maior taxa feminina ocorreu entre os 20 e os 24 anos, e o ECDC destaca aumentos particularmente marcados em mulheres jovens, bem como a ameaça da resistência antimicrobiana (European Centre for Disease Prevention and Control [ECDC], 2025a, 2025b, 2025c, pp. 3–9).
Em Portugal, segundo o ECDC, em 2023 foram notificados 1.404 casos de clamídia, com taxa de 13,4 por 100.000 habitantes; 2.280 casos de gonorreia, com taxa de 21,7 por 100.000; e 1.153 casos de sífilis, com taxa de 11,0 por 100.000. Estes valores foram inferiores aos de 2022 para as três infeções, mas permanecem superiores aos níveis observados em 2019, particularmente na sífilis e na gonorreia. Estes dados são notificações e não prevalência real, devendo ser interpretados com cautela, pois dependem do acesso à testagem, dos sistemas de vigilância, da procura de cuidados e das políticas nacionais de diagnóstico (ECDC, 2025a, 2025b, 2025c, p. 3).
No VIH, Portugal registou 924 casos notificados com diagnóstico em 2023, dos quais 876 diagnosticados em Portugal. Entre 2014 e 2023, verificou-se uma redução de 36% nos novos casos de infeção por VIH e de 66% nos novos casos de SIDA. Contudo, 58% das pessoas com novo diagnóstico apresentaram-se tardiamente aos cuidados de saúde, valor que subiu para 69,9% nas pessoas com 50 ou mais anos. Este dado é essencial para a saúde feminina, porque mostra que a prevenção deve ultrapassar a visão centrada apenas na juventude e incluir mulheres adultas, mulheres em novas relações, mulheres migrantes, mulheres em situação de vulnerabilidade e mulheres mais velhas (Direção-Geral da Saúde & Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, 2024, s. p.).
3. Violência contra mulheres no mundo: problema de saúde pública, direitos humanos e dignidade
A violência contra as mulheres é simultaneamente uma violação dos direitos humanos, um problema de saúde pública e um determinante estrutural de desigualdade. A OMS estima que quase uma em cada três mulheres no mundo, cerca de 840 milhões, tenha experienciado violência por parceiro íntimo ou violência sexual ao longo da vida. Nos 12 meses anteriores à publicação dos dados, 316 milhões de mulheres, correspondendo a 11% das mulheres com 15 ou mais anos, foram sujeitas a violência física ou sexual por parceiro íntimo. A violência tem consequências imediatas e de longo prazo: lesões, dor crónica, infeções sexualmente transmissíveis, gravidez não planeada, depressão, ansiedade, perturbação de stress pós-traumático, isolamento social, risco de suicídio e impacto intergeracional em crianças e famílias (OMS, 2025, s. p.).
A violência letal mantém uma dimensão alarmante. Segundo o UNODC e a ONU Mulheres, em 2024 foram assassinadas intencionalmente cerca de 83 mil mulheres e raparigas no mundo; 60%, ou aproximadamente 50 mil, foram mortas por parceiros íntimos ou familiares. Isto significa que, em média, uma mulher ou rapariga foi assassinada por parceiro ou familiar a cada 10 minutos. A casa, que deveria ser espaço de proteção, continua a ser, para muitas mulheres, o lugar de maior risco (United Nations Office on Drugs and Crime & UN Women, 2025, s. p.).
Em Portugal, os dados do Boletim Estatístico da CIG indicam que, em 2024, 19,7% das mulheres reportaram ter sofrido violência física ou ameaças e/ou violência sexual por qualquer perpetrador ao longo da vida, face a 30,7% na média da UE27. No caso da violência por parceiro íntimo, 10,3% das mulheres em Portugal reportaram violência física ou ameaças e/ou violência sexual ao longo da vida; quando se inclui violência psicológica, física ou ameaças e/ou sexual por parceiro íntimo, a proporção sobe para 22,5%. Estes dados demonstram que a violência psicológica e relacional deve ser valorizada como dimensão central da saúde, e não apenas como problema social ou jurídico (Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género [CIG], 2026, pp. 130–131).
Ainda em Portugal, registaram-se mais de 30.000 ocorrências anuais de violência doméstica entre 2022 e 2024: 30.488 em 2022, 30.461 em 2023 e 30.221 em 2024. Em 2024, cerca de 68% das vítimas registadas pelas forças de segurança eram mulheres, e cerca de 78% das pessoas denunciadas eram homens. A maioria das situações ocorreu contra cônjuges ou análogos, com 25.919 ocorrências em 2024. No quarto trimestre de 2024, foram registadas 7.054 ocorrências participadas à PSP ou GNR e quatro homicídios voluntários em contexto de violência doméstica, todos com vítimas mulheres (CIG, 2025, s. p.; CIG, 2026, p. 132).
A mensagem científica para o webinar é que a violência contra as mulheres deve ser abordada de forma integrada: prevenção primária, educação para relações saudáveis, identificação precoce de sinais de controlo coercivo, formação de profissionais, respostas de saúde sensíveis ao trauma, referenciação segura, proteção jurídica, apoio psicológico e empowerment. A literacia em saúde é aqui uma ferramenta de dignidade: ajuda a mulher a reconhecer que a violência não é normal, que pedir ajuda é legítimo, que existem recursos disponíveis e que a saúde inclui segurança, autonomia, respeito e liberdade.
Síntese integradora
Este webinar da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde tem elevada pertinência científica e social porque articula três dimensões que frequentemente são tratadas separadamente, mas que na vida das mulheres se cruzam: estilos de vida, saúde sexual e segurança. Uma abordagem holística permite compreender que uma mulher informada, apoiada e protegida está mais capacitada para tomar decisões, procurar cuidados, prevenir doença, reconhecer risco e defender a sua dignidade. Cuidar de si é essencial; mas para cuidar de si é necessário acesso, compreensão, apoio, ambientes seguros, serviços responsivos e políticas públicas que transformem informação em saúde real.
English version
Scientific summary for the webinar “Taking care of yourself is essential”
The webinar proposes an integrated approach to women’s health by connecting healthy lifestyles, prevention of sexually transmitted infections, and action against violence against women. This perspective is scientifically sound because women’s health does not depend only on individual decisions; it is also shaped by social, economic, cultural, relational and environmental conditions that either enable or constrain healthy choices, access to care, early diagnosis, protection and autonomy. In this context, health literacy becomes a critical competence to access, understand, appraise and use health information, but also to seek help, recognise risk, negotiate safer relationships and translate knowledge into action.
1. Healthy lifestyles: daily choices, protective environments and health across the life course
Healthy lifestyles are central to the prevention of noncommunicable diseases, including cardiovascular disease, diabetes, obesity, some cancers, respiratory disease, depression and functional decline. International evidence shows that regular physical activity, balanced nutrition, reduced alcohol intake, smoking cessation, adequate sleep, stress management and social participation are key determinants of women’s health throughout adolescence, reproductive life, pregnancy, menopause and ageing. The World Health Organization estimates that 31% of adults worldwide, around 1.8 billion people, do not meet minimum physical activity recommendations; women are, on average, five percentage points less active than men, and 85% of adolescent girls do not meet recommended physical activity levels, compared with 78% of boys (World Health Organization [WHO], 2024, n. p.).
Obesity and overweight remain major threats to metabolic and cardiovascular health. In 2022, 2.5 billion adults were overweight and more than 890 million were living with obesity; globally, 44% of adult women were overweight. WHO emphasises that obesity should not be understood simply as the result of individual choices, but as a chronic, multifactorial disease influenced by food systems, urbanisation, socioeconomic conditions, physical activity and obesogenic environments (WHO, 2025, n. p.).
Alcohol and tobacco remain priority risk factors. In 2019, alcohol consumption was associated with around 2.6 million deaths worldwide, including 600,000 deaths among women; alcohol is linked to more than 200 diseases, injuries and health conditions, including liver disease, cardiovascular disease, depression, breast cancer, interpersonal violence and pregnancy-related risks (WHO, 2024, n. p.). In the WHO European Region, tobacco remains particularly relevant among women and young people: more than 40% of the world’s adult female smokers live in this region, corresponding to around 62 million women, and girls aged 13–15 have the highest prevalence of tobacco use globally in their age group (WHO Regional Office for Europe, 2026, n. p.).
In Portugal, OECD comparative data show a mixed profile. Daily smoking prevalence was 14.2%, close to the OECD average; alcohol consumption was higher than the OECD average, at 11.9 litres per capita compared with 8.5 litres; 56% of Portuguese adults did not perform sufficient physical activity, far above the OECD average of 30%; and self-reported obesity was 16%, below the OECD average of 19%. These data indicate that, in Portugal, physical inactivity and alcohol consumption should be clear priorities for health literacy, prevention and public policies that promote healthier environments (Organisation for Economic Co-operation and Development [OECD], 2025, n. p.).
The scientific interpretation for the webinar is clear: “taking care of oneself” should not be framed as an isolated responsibility placed on women, but as a process of empowerment, social support, access to understandable information and real opportunities for healthier choices. Health literacy interventions should translate recommendations into concrete actions: walking more, reducing sedentary behaviour, understanding alcohol-related risks, recognising psychological distress, valuing sleep, attending screening, adhering to vaccination and building support networks.
2. Sexually transmitted diseases and infections in women: prevention, early diagnosis and stigma reduction
Although the expression “sexually transmitted diseases” is still commonly used, the technically more appropriate public health term is “sexually transmitted infections” (STIs), because many infections remain asymptomatic for long periods. WHO estimates that more than one million curable STIs are acquired every day worldwide among people aged 15–49 years, most of them asymptomatic. In 2020, there were around 374 million new infections with chlamydia, gonorrhoea, syphilis or trichomoniasis. Human papillomavirus infection is associated with more than 311,000 cervical cancer deaths each year, and around 300 million women are estimated to have HPV infection, the primary cause of cervical cancer (WHO, 2025, n. p.).
In women, STIs are particularly important because they can compromise sexual and reproductive health, increase the risk of infertility, pelvic inflammatory disease, ectopic pregnancy, chronic pelvic pain, obstetric complications, vertical transmission, congenital syphilis, increased HIV vulnerability and HPV-related cancers. Health literacy is decisive because many women do not seek care due to lack of symptoms, fear, shame, relational violence, low risk perception or barriers to confidential services. Prevention must therefore include evidence-based sexuality education, consistent condom use, HPV and hepatitis B vaccination, regular testing, early diagnosis, timely treatment of partners and stigma reduction.
In the European Union and European Economic Area, ECDC reports show a concerning increase in bacterial STIs. In 2023, 230,199 confirmed chlamydia cases were reported, with the highest rates among women aged 20–24 years; 96,969 gonorrhoea cases were reported, representing a 31% increase compared with 2022; and 41,051 syphilis cases were reported, representing a 13% increase compared with 2022 and a 100% increase compared with 2014. For gonorrhoea, the highest female rate was observed among women aged 20–24 years, and ECDC highlights marked increases among young women as well as the threat of antimicrobial resistance (European Centre for Disease Prevention and Control [ECDC], 2025a, 2025b, 2025c, pp. 3–9).
In Portugal, according to ECDC, 1,404 chlamydia cases were reported in 2023, with a rate of 13.4 per 100,000 population; 2,280 gonorrhoea cases, with a rate of 21.7 per 100,000; and 1,153 syphilis cases, with a rate of 11.0 per 100,000. These figures were lower than in 2022 for all three infections, but they remained above 2019 levels, particularly for syphilis and gonorrhoea. These are notification data, not true prevalence data, and should therefore be interpreted with caution, as they depend on access to testing, surveillance systems, care-seeking behaviour and national diagnostic policies (ECDC, 2025a, 2025b, 2025c, p. 3).
Regarding HIV, Portugal reported 924 notified cases diagnosed in 2023, of which 876 were diagnosed in Portugal. Between 2014 and 2023, there was a 36% reduction in new HIV cases and a 66% reduction in new AIDS cases. However, 58% of people newly diagnosed with HIV presented late to care, rising to 69.9% among people aged 50 or older. This is essential for women’s health because prevention must go beyond a youth-centred view and include adult women, women in new relationships, migrant women, women in situations of vulnerability and older women (Direção-Geral da Saúde & Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, 2024, n. p.).
3. Violence against women worldwide: public health, human rights and dignity
Violence against women is simultaneously a human rights violation, a public health problem and a structural determinant of inequality. WHO estimates that nearly one in three women worldwide, around 840 million, have experienced intimate partner violence or sexual violence during their lifetime. In the 12 months preceding the publication of the data, 316 million women, corresponding to 11% of women aged 15 or older, were subjected to physical or sexual violence by an intimate partner. Violence has immediate and long-term consequences: injuries, chronic pain, sexually transmitted infections, unintended pregnancy, depression, anxiety, post-traumatic stress disorder, social isolation, suicide risk and intergenerational impact on children and families (WHO, 2025, n. p.).
Lethal violence remains alarming. According to UNODC and UN Women, in 2024 around 83,000 women and girls were intentionally killed worldwide; 60%, or approximately 50,000, were killed by intimate partners or family members. This means that, on average, one woman or girl was killed by a partner or family member every 10 minutes. The home, which should be a place of protection, remains for many women the place of greatest risk (United Nations Office on Drugs and Crime & UN Women, 2025, n. p.).
In Portugal, data from the CIG Statistical Bulletin indicate that, in 2024, 19.7% of women reported having experienced physical violence or threats and/or sexual violence by any perpetrator during their lifetime, compared with 30.7% in the EU27 average. Regarding intimate partner violence, 10.3% of women in Portugal reported physical violence or threats and/or sexual violence during their lifetime; when psychological violence, physical violence or threats and/or sexual violence by an intimate partner are included, the proportion rises to 22.5%. These data show that psychological and relational violence must be recognised as a central dimension of health, not only as a social or legal issue (Commission for Citizenship and Gender Equality [CIG], 2026, pp. 130–131).
Also in Portugal, more than 30,000 annual domestic violence occurrences were recorded between 2022 and 2024: 30,488 in 2022, 30,461 in 2023 and 30,221 in 2024. In 2024, around 68% of victims recorded by security forces were women, and around 78% of reported perpetrators were men. Most situations occurred against spouses or analogous partners, with 25,919 occurrences in 2024. In the fourth quarter of 2024, 7,054 occurrences were reported to PSP or GNR, and four voluntary homicides in a domestic violence context were recorded, all involving women victims (CIG, 2025, n. p.; CIG, 2026, p. 132).
The scientific message for the webinar is that violence against women must be addressed in an integrated way: primary prevention, education for healthy relationships, early identification of coercive control, professional training, trauma-informed healthcare responses, safe referral, legal protection, psychological support and empowerment. Health literacy is a tool of dignity: it helps women recognise that violence is not normal, that seeking help is legitimate, that resources exist and that health includes safety, autonomy, respect and freedom.
Integrative synthesis
This webinar by the Portuguese Society of Health Literacy has strong scientific and social relevance because it connects three dimensions that are often treated separately, but which intersect in women’s lives: lifestyles, sexual health and safety. A holistic approach makes it possible to understand that an informed, supported and protected woman is better able to make decisions, seek care, prevent disease, recognise risk and defend her dignity. Taking care of oneself is essential; but self-care requires access, understanding, support, safe environments, responsive services and public policies capable of transforming information into real health.
