Literacia em Saúde e Direitos Humanos

Data Evento

31 de Julho, 2025    
Todo o dia

Literacia em Saúde e Direitos Humanos

Professora Doutora Cristina Vaz de Almeida

Quando falamos de direitos das mulheres, temos de ter obrigatoriamente a visão integrada dos aspetos da saúde, sociais e multiculturais. Esta abordagem exige esforços combinados de trabalho multissectorial, multidomínio e interdisciplinar.

Sabemos que, todos os dias, 140 meninas e mulheres morrem as mãos de um parceiro próximo, dentro da família. Isto quer dizer que dentro da próxima hora, provavelmente, quase seis mulheres e/ou meninas perderam as suas vidas.

Impassíveis não ficamos porque surge logo uma angústia que nos sensibiliza para a questão. Mas é preciso fazer mais do que ficarmos sensibilizados. É preciso agir.

Utilizar as ferramentas da literacia em saúde e gerar mais competências, e saber que as pessoas precisam de mais conhecimento, mais capacidades e os seus atributos são influenciados pelos contextos onde vivem. A literacia em saúde ajuda a preservar a confiança. A literacia em saúde ajuda a reconhecer o perigo e a criar mais segurança com o desenvolvimento das capacidades das populações para serem mais ativas na sua proteção, em particular as mulheres. A literacia em saúde tem um papel da acessibilidade e também ajuda a preservar, a defender e a lutar por mais direitos humanos.

A literacia em saúde reforça a confiança porque dota as pessoas de competências, ou seja, garante os seus conhecimentos e competências (saber fazer). Quando as competências são oferecidas, estamos a aumentar os cuidados de saúde, a prevenção e a promoção da saúde. Estamos a gerar empoderamento e controlo da vida. Esses fatores geram maior autoestima e, portanto, maior confiança nas decisões corretas de saúde.

A literacia em saúde reforça a segurança porque os profissionais desenvolvem uma estratégia para um melhor acesso, compreensão e utilização dos recursos. Com esta maior segurança nos cuidados de saúde, com uma maior literacia em saúde, os acontecimentos adversos na saúde e nas comunidades diminuirão, contribuindo assim para uma maior segurança e um melhor retorno dos investimentos na saúde e, por conseguinte, melhores resultados em matéria de saúde. As famílias desenvolvem mais competências, aprendem a gerir melhor a dor, as carências, a gestão de emoções.

A literacia em saúde reforça a acessibilidade porque, ao tomar as decisões certas no domínio da prevenção de doenças, da promoção da saúde e até dos cuidados, abre um campo protetor e reforçado para as populações vulneráveis. A acessibilidade aos serviços, ao direito da mulher ser protegida cria condições de empoderamento.

A literacia em saúde é determinante para os direitos humanos porque dá voz às pessoas. Dá voz às mulheres. A manifestação das suas reais necessidades impacta em políticas públicas mais ajustadas às comunidades.

Professora Doutora Cristina Vaz de Almeida, Presidente da SPLS


Porto Proclamation on Sexual Health, Rights and Justice

 

Ver aqui.

Sexual rights, justice, and pleasure

Sexual Rights are human rights. Sexual Justice advances these rights by dismantling systemic barriers and structural inequalities that especially oppress marginalized communities. It ensures that all people can live safe, pleasurable, and fulfilling sexual lives, free from violence and coercion, with access to care, education, legal protection and recognition, and equitable resources.

​Redress and reparation are necessary – at both systemic and individual levels – for those whose sexual rights have been violated or denied. Sexual pleasure is a fundamental part of sexual rights, sexual health, and sexual well-being, as well as human connection, dignity, and joy for those who choose to experience it.

Equity and inclusion

Equity and inclusion mean guaranteeing sexual health and rights without discrimination on any ground – including sexual orientation, gender identity and expression, sex characteristics, race, ethnicity, color, language, religion, political or other opinion, national or social origin, class, birth, disability, age, health or economic status, marital or family status, nationality, or place of residence – while centering the needs and voices of those most marginalized and transforming systems so that all people can participate fully and equally in shaping their sexual lives with dignity and autonomy.

Evidence

All sexual health-related interventions must be grounded in evidence that is rigorous and transparent, supported by research and informed by the lived experiences of people and communities.

Accountability

Accountability for sexual health and rights requires governments and institutions to be answerable through transparent laws and policies, adequate funding, effective monitoring, and meaningful community participation, particularly from marginalized groups. Beyond compliance, accountability advances sexual justice by dismantling systemic inequalities, combating stigma, and ensuring equitable access to services and protections, while affirming dignity for all.

Person-centered sexual health services

Every person has the right to accessible, respectful, and confidential sexual health services, with full informed consent and shared decision-making across the life course. Sexual pleasure is a fundamental part of sexual health, sexual rights, and sexual well-being, and should be integrated into the provision of high-quality sexual health services.

Comprehensive Sexuality Education and Access to Information

Every person has the right to comprehensive sexuality education, both in and out of school, and access to evidence-based and rights-based information that supports their health, well-being, and dignity. Such education should foster respectful social and sexual relationships, support individuals in understanding how their choices affect their own well-being and that of others, and ensure the protection of their rights throughout life.

Solidarity and partnership

Lasting progress in sexual health, rights, and justice requires solidarity with marginalized groups, ensuring that no one is left behind. It further requires equitable, multi-sector partnerships that place marginalized voices at the center and align efforts across health, education, training, justice, finance, and technology.

Strategic priorities:

  • ​Strengthen sexual health, rights, and justice by advancing priority levers and clear pathways of impact–driving legal reform, policymaking, community action, professional training, clinical services, comprehensive sexuality education, and cross-sector collaboration at national, regional, and international levels.
  • Promote and protect universal access to high-quality, integrated sexual health services, comprehensive sexuality education, and professional training.
  • Strengthen a coordinated global narrative and advocacy strategy supported by a commitment to joint advocacy mechanisms and movement building that ensure alignment and solidarity.
  • Address the urgent need to confront misinformation, disinformation, and censorship by strengthening research, data, education, and training to inform action and accountability.
  • Develop digital strategies that amplify sexual justice, counter misinformation, and ensure that sexual health information and advocacy reach broad and diverse audiences with unrestricted access, where it is age-appropriate.
  • Integrate sexual health, rights, and justice with broader justice and democracy movements, and with cross-sector collaboration, ensuring solidarity and collective action.
  • Ensure sustainable and equitable funding for sexual health, rights, and justice, recognizing that such investment saves lives, strengthens service delivery, and enables global and local action.

We, the signatories of this proclamation, commit to sustaining the World Sexual Health Assembly through annual meetings and to realizing a shared plan of action that advances our collective priorities.​

Signatories of the Porto Proclamation on Sexual Health, Rights, and Justice

*Please note:

This is a preliminary list of signatories, with some organizations pending final board approval.

​International and Civil Society Organizations:

  • Aids Healthcare Foundation; Daniel Reijer; AHF-Europe Bureau Chief
  • ARROW; Tham Hui Ying; Member of the Board
  • ILGA World; Julia Ehrt; Executive Director
  • International Planned Parenthood Federation (IPPF); Manuelle Hurwitz; Director, Development and Impact
  • MPact; Alex Garner; Senior Director of Strategic Initiatives & Communications
  • Mexican Association for Sexual Health (AMSSAC); Dr. Eusebio Rubio-Aurioles; Founder
  • Rutgers; Marieke van der Plas; Executive Director
  • The Case for Her; Wendy Anderson and Cristina Ljungberg; Co-founders
  • The Pleasure Project; Anne Philpott; Founder & Co-Director

Regional Professional Sexual Health Organizations:

  • Asia-Oceania Federation of Sexology (AOFS); Dr. Christopher Fox; President
  • European Federation of Sexology (EFS); Esben Esther Pirelli Benestad; President
  • Eastern Mediterranean Federation of Sexual Health (EMFeSH); Bouchra Assarag; President
  • Latin American Federation of Sexology and Sexuality Education Societies (FLASSES); Esther Corona; Past President
  • North American Federation of Sexology Organizations; Eli Coleman; Representative
  • Sexual Health Africa (SHA); Dr. Elna Rudolph; Director​​

Professional Organizations:

  • International Society for the Study of Women’s Sexual Health (ISSWSH); Dr. Sally MacPhedran; President-elect
  • World Association for Sexual Health (WAS); Dr. Faysal El Kak; President
  • World Professional Association for Transgender Health (WPATH); Dr. Asa Radix; President

Academic/Research Institutes:

  • African Institute for Sexual and Gender Health; Dr. Elna Rudolph; Director
  • Curtin University; Dr. Jacqueline Hendriks; Office of the Provost
  • Eli Coleman Institute For Sexual and Gender Health; Kristen Mark, PhD, MPH; Joycelyn Elders Endowed Chair in Sexual Health Education, Interim Co-Director, and Director of Education
  • Institute for Family and Sexuality Studies, University of Leuven; Prof. Dr. Erick Janssen; Director
  • University of Porto; Prof. Pedro Nobre; Dean of the Faculty of Psychology and Education Sciences
  • Women Integrated Sexual Health (WISH) Program; Dr. Faysal El Kak; Director

​International Sexual Health Publications:

  • International Journal of Sexual Health; Eli Coleman, PhD; Editor
  • Sexual and Reproductive Health Matters (SRHM); Eszter Kismődi; Chief Executive​

​Individual:

  • Philip Anglewicz; Professor; USA
  • Jesse Ford; Assistant Professor; USA

Download the Porto Proclamation

“Building on progress achieved to date, the Assembly aims to define strategic priorities and foster coordinated partnership and action – to develop and strengthen a progressive agenda for sexual health, rights, and justice globally.”

– Faysal El Kak (WAS President)

What happened in Porto

should not stay in Porto.

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Sexual Health, Rights, and Justice.

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Organizações que usam linguagem inclusiva são mais literadas

Por Professora Doutora Cristina Vaz de Almeida

A Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência apela para uma maior consciência dos estereótipos, para os evitar e como abstermo-nos de usar uma linguagem estigmatizante.

Em 2008 uma Resolução do Conselho de Ministros (nº 161/2008 de 22-10-2008)

adotou medidas de promoção da transversalidade da perspetiva de género na administração central do Estado e aprova o estatuto das conselheiras e dos conselheiros para a igualdade, bem como dos membros das equipas interdepartamentais para a igualdade.

Nesta resolução (2008) é afirmado que se devem “desenvolver práticas não discriminatórias da linguagem, tais como:

  1. a) a referência explícita aos dois sexos e;
  2. b) a neutralização ou abstração da referência sexual, recorrendo a uma mesma forma neutra para designar ambos os sexos (Resolução 161/2008).

Soares (2017) afirma que “para escrever de forma inclusiva, não é necessário reinventar a roda” (p. 2), isto porque já existem manuais orientadores, como o “Guia” de Abranches (2010) para uma linguagem promotora da igualdade entre mulheres e homens na administração pública (2008).

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O QUE É UMA LINGUAGEM INCLUSIVA?

A linguagem inclusiva evita a utilização de expressões pejorativas ou que excluam pessoas devido à sua idade, género, orientação sexual, raça, convicções religiosas ou outras, etnia, classe social ou características físicas ou mentais.

É preciso evitar recorrer, mesmo que involuntariamente, a uma linguagem marcada por estereótipos, humilhante, paternalista ou pejorativa (Secretariado-Geral do Conselho da Europa, 2018).

A linguagem inclusiva assim como uma linguagem clara é aquela que os seus destinatários compreendem à primeira.

A linguagem clara pode ser expressa de várias formas. A escrita clara não é apenas sobre linguagem, mas também reflete comunicação e comportamentos.

Temos consciência que mudar o comportamento das pessoas leva tempo, sendo necessário ter paciência neste processo. Quanto mais específico o projeto, mais duradouro é o efeito que tem.

Quando pensamos em comunicação pública, integramos todos os setores de serviços essenciais como os do fornecimento de água, luz, sistemas de segurança social e de saúde onde a linguagem verbal e não verbal usada pelos colaboradores das várias organizações eve ser clara, simples, concisa e conter informações completas e precisas

Além da linguagem oral, a escrita clara traduz-se numa ferramenta de eficiência, que também contribui para a diminuição do erro.

A escrita clara não é apenas sobre linguagem, mas comunicação e comportamento.

A Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência defende que deve haver consciência de linguagem inclusiva, apelando a todos o combate aos estereótipos e ao uso de uma linguagem que pode ser humilhante, paternalista ou pejorativa (Secretariado-Geral do Conselho da Europa, 2018).

GRUPOS DE TRABALHO

Tiveram que passar quase 10 anos para em 2017 ser criado um grupo de trabalho interinstitucional de língua portuguesa sobre linguagem inclusiva que caminhasse neste sentido de inclusão e por isso também para um processo de literacia em saúde dos indivíduos e das organizações relativamente ao uso de uma linguagem compreensível e acessível a todos de acordo com o seu perfil (Shriver, Cheek & Mercer, 2010).

As palavras refletem as nossas atitudes e convicções e é precisamente por isso que importa utilizar as palavras certas, E nenhuma pessoa gosta de ser identificada pela sua deficiência (Secretariado-Geral do Conselho da Europa, 2018).

A nível europeu, a linguagem inclusiva “assegura a coerência entre os valores da UE (como a igualdade e a não discriminação, princípios consagrados nos Tratados) e as mensagens que esta veicula (Soares, 2017).

AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA E OUTRAS DESIGNAÇÕES

As indicações estendem-se a todos os profissionais e, mais especificamente, aos de saúde, que lidam rotineiramente com pessoas com deficiência.

Relativamente às pessoas com deficiência, o profissional de saúde deve avaliar o perfil do seu paciente, o seu nível da sua literacia em saúde e ajustar a sua capacidade de comunicação, adaptando ainda o seu discurso (Watson Institute, 2020). Por exemplo, a repetição dos conceitos de uma forma mais lenta e audível, permite que o paciente vá acompanhando, e retenha mais facilmente a informação a transmitir. O desenvolvimento de competências do profissional de saúde através do reforço dos seus conhecimento, capacidade e atributos pessoais, é essencial (Vaz de Almeida, 2020).

De acordo com a WHO (2020) a comunicação deve ser acessível, acionável, credível, relevante, atempada e compreensível.

Porém, porque ainda não dominam a linguagem mais atualizada e inclusiva, muitos ainda utilizam expressões que podem ser estigmatizantes como chamara de “cego” ou “surdo” por exemplo. Então como proceder? (Quadro 1).

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Quadro 1. A Referência à “pessoa”.

• Colocar a tónica na pessoa (“uma pessoa com deficiência”).

• Salientar a singularidade e as capacidades de cada pessoa, em vez de a definir por um problema de saúde.

• Evitar expressões como “sofre de” e palavras que remetam para a ideia de vítima “coitada”.

Fonte: Baseado no Secretariado-Geral do Conselho da Europa, 2018.

A linguagem inclusiva trata as mulheres e os homens de forma igual, sem perpetuar as perceções estereotipadas de cada pessoa em função do género ou do seu estado, cor, religião, cultura, etc. (Quadro 2).

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Quadro 2. Utilização da melhor linguagem inclusiva pelos profissionais de saúde.

A EVITAR

Evite designações coletivas, como a referência a “cegos” ou “surdos”

Existem diferentes graus de deficiência visual e auditiva e as informações devem ser focadas na pessoa e não na deficiência

Expressões paternalistas

Expressões para uma senhora adulta: A menina porte-se bem.

Expressões humilhantes:

Não sejas mariquinhas!

COMO DEVE PASSAR A SER DITO

Pessoa com deficiência visual ou Pessoa com deficiência auditiva

A Senhora X deve seguir estas recomendações para se sentir melhor.

Não tenhas receio.

Não tenhas medo

Fonte. Elaboração própria baseado em Secretariado-Geral do Conselho da Europa (2018).

Também existe orientação do Conselho sobre Igualdade de Género (2016) relativamente às relações de casal. Assim, a orientação do Conselho (2016) é que os termos “parceiro/parceira” ou “cônjuge” são mais inclusivos do que “marido/mulher” e refletem melhor a variedade de relações que existem atualmente na sociedade (por exemplo, pessoas não casadas, pessoas em união de facto ou parcerias registadas, casais do mesmo sexo).

Também se torna necessário ter atenção relativamente a expressões que estejam ultrapassadas ou negativamente conotados segundo o Conselho sobre igualdade de género (2016). A tónica deve ser colocada na pessoa: em vez de “as lésbicas, os gays, os bissexuais, os transgéneros, os intersexo”, é preciso referir verbalmente ou por escrito, as “pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgénero e intersexuais” ou as “pessoas LGBTI” (Conclusões do Conselho sobre igualdade de género, 2016).

ESPECIFICAÇÃO

A especificação é uma solução a evitar sempre que é possível e adequado recorrer à neutralização ou abstração, uma vez que tem o inconveniente de tornar os textos mais longos e menos elegantes. Num texto inclusivo nem sempre é possível evitar a especificação. Nos casos em que é necessário utilizá-la, existem duas soluções alternativas: as formas duplas (“os alunos e as alunas”, ou “os e as alunas”) e o emprego de barras (“o/a professor/a”).

NEUTRALIZAÇÃO OU ABSTRAÇÃO

·        Substituição por termos neutros (termos genéricos, abstratos ou coletivos, nomes sobrecomuns, etc.).

·        Substituição de nomes por pronomes invariáveis.

·        Soluções alternativas: estrutura gramatical diferente (passiva, imperativo, infinitivo).

IMAGENS

A escolha de imagens pode ter efeitos não inclusivos e discriminatórios. Por isso, torna-se necessário escolher imagens que mostrem a diversidade do ambiente de trabalho, pelo que é importante quando retrata pessoas de selecionar pessoas de vários géneros.

O QUE PODE AINDA SER FEITO PARA UMA LINGUAGEM MAIS INCLUSIVA NO ÂMBITO DE UMA MAIOR LITERACIA?

O caminho é ainda está a ser feito. Existem muitas orientações regionais, nacionais, europeias, internacionais a nível político, social e de saúde (Resolução 161/2008; Secretariado-Geral do Conselho da Europa, 2018).

No entanto, o reforço de algumas áreas-chave pode ser considerado para estruturar e consolidar aquilo que é pretendido pela Literacia em Saúde por um lado, respetivamente quanto ao acesso, compreensão e uso da informação (Sørensen e outros, 2012) transversal e promotor de resultados efetivos em saúde e, por outro, pela ambição de tornar o cidadão/ã mais preparado/a para um comportamento mais inclusivo, humanista, interventor, onde se destaca a necessidade de uma comunicação mais inclusiva e promotora de uma igualdade. O investimento nas competências dos profissionais de saúde é um dos caminhos (Vaz de Almeida & Belim, 2020), além de outras intervenções estratégicas promotoras de resultados.

A consciência da importância desta comunicação inclusiva dentro das organizações que se desejam literadas não tem muito tempo (Brach e outros, 2012).

Sugere-se, por isso, o reforço dos seguintes passos (entre outros mais que certamente existem) para uma comunicação em saúde mais inclusiva (Quadro 3).

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Quadro 3. Os 17 Passos de uma literacia em saúde inclusiva

1.       Contribuir para uma maior Cidadania – isto significa que é preciso que a sociedade se prepare e desenvolva estratégias para dar importância ao tema;

2.       Incluir as pessoas com deficiência na construção dos programas de comunicação em saúde;

3.       Desenvolver práticas formativas que ensinem os profissionais de saúde a usar e a compreender melhor a linguagem inclusiva;

4.       Implementar a noção e a prática do Respeito, com o investimento no desenvolvimento do ser humano desde a infância, através do desenvolvimento de competências parentais, nas escolas, aos educadores formais e através de uma educação global que promova também a educação para a saúde;

5.       Desenvolver canais adequados de Informação que se transforme em conhecimento, combinando os meios impressos, audiovisuais e digitais;

6.       Conhecer melhor o que desejam as audiências, como se movem e o que as faz mudar;

7.       Perceber se as pessoas têm eficácia para agir, isto é, têm o conhecimento suficiente para a ação; compreendem as razões que estão por detrás de não se dizer “o cego” ou o “surto” ou o “autista” e falar na pessoa com cegueira, na pessoa com surdez, na pessoa com deficiência? Porque de fato é a pessoa que está no centro;

8.       Perceber e resolver as questões relacionadas com a indiferença ou a inércia. Se se compreender a base da inércia pode arranjar-se meios mais influenciadores e motivadores para que as pessoas sintam vontade de atuar por uma maior inclusão;

9.       Descobrir os influenciadores, motivadores de uma maior inclusão promotora de uma literacia em saúde que use uma comunicação inclusiva e inseri-los nas campanhas locais, regionais, nacionais, internacionais;

10.   Preparar melhor a organizações para formar os seus colaboradores nesta linguagem inclusiva também promotora de uma maior literacia em saúde? Alguém ensinou os profissionais na linguagem correta inclusiva?

11.   Trabalhar em rede multissectorial e dentro das comunidades para compreender as crenças, os estereótipos que existem e saber ultrapassá-los;

12.   Medir constantemente os resultados até se atingirem patamares razoáveis de sucesso e depois monitorizar de uma forma regular a evolução;

13.   Utilizar profusamente as ferramentas da literacia em saúde, uteis para comunicar melhor, de forma mais acessível e transparente (AHRQ, 2015).

14.   Demonstrar o valor e os resultados de uma comunicação inclusiva (nas organizações, na comunidade, nos media);

15.   Desenvolver uma investigação associada ao tema da comunicação inclusiva na literacia em saúde;

16.   Organizar e mostrar as boas práticas inclusivas em saúde promotoras de uma melhor literacia em saúde e cidadania.

17.   Abranger todos os cidadãos no seu ciclo de vida.

Mudar o comportamento das pessoas leva tempo, é essencial ter paciência. Quanto mais específico o projeto, mais duradouro o efeito que tem.

As orientações sobre o idioma são apenas uma parte das instruções. É importante saber sobre como obter a atenção das pessoas, reduzir a sua resistência e produzir efeitos (quadro 4).

Quadro 4. Orientações para uma linguagem clara

ALGUMAS ORIENTAÇÕES SOBRE LINGUAGEM CLARA

EM VEZ DE… DIZER OU ESCREVER ASSIM

Acompanhar Ir com

Realizar Fazer

Concedido Dado

Adequadamente Tão

Acumular, adicionar Ganhar, juntar

Precisão Correto, exato, certo

Adicional adicionado Mais

Endereçar Discutir

Destinatários Você, vós

Aconselhar, recomendar Dizer

Adjacente Próximo

Vantajoso Útil

Adverso Mau

Permitir Ir

Antecipar Esperar

Um número de Alguns

Um número apreciável Vários

Apropriado Certo

Tal como Assim

Conforme prescrito De acordo, feito, fazer assim

No tempo presente Agora

Tentativa Tentar

Competência Capacidade

Proximidade Perto

Combinado Junto

Iniciado Começar

Em concordância Seguir, de acordo

Componente Parte

Consequentemente Assim, desta forma

Consolidar Juntar, unir

Fonte: Elaboração própria, baseado em Abranches, 2009; Shriver, Cheek & Mercer, 2010.

É importante olhar para como o comportamento muda quando damos ou recebemos uma mensagem.

Pode ser usada por vezes uma linguagem mais coloquial associada a comportamentos para tornar os textos mais eficazes, com uma lista de verificação de técnicas comportamentais para cartas e correios.

Referências

Abranches, G. (2009). Guia para uma Linguagem Promotora da Igualdade entre Mulheres e Homens na Administração Pública. Lisboa: Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. Disponível em: https://www.cig.gov.pt/siic/pdf/2014/siic-Linguagem.pdf.

Brega, A. G., Freedman, M. A. G., LeBlanc, W. G., Barnard, J., Mabachi, N. M., Cifuentes, M., Albright, K., Weiss, B. D., Brach, C., & West, D. R. (2015). Using the health literacy universal precautions toolkit to improve the quality of patient materials. Journal of Health Communication, 20(2), 69-76.

Parrott R.(2004). Emphasizing “communication” in health communication. J Communication,54, 751-787. doi: 10.1111/j.1460-2466.2004.tb02653.x

Resolução do Conselho de Ministros (2008). n.º 161/2008, Diário da República, I Série, n.º 205, de 22 de outubro de 2008. Disponível em:https://dre.pt/application/conteudo/438443

Shriver, K., Cheek, A., & Mercer, M. (2010). The research basis of plain language techniques: Implications for establishing standards. Clarity, 63, 26-33.

Soares, H. (2017). Novo grupo interinstitucional sobre linguagem inclusiva. A folha Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias. Disponível em: http://ec.europa.eu/translation/portuguese/magazine N.º 55 — outono de 2017 NOVO GRUPO INTERINSTITUCIONAL SOBRE LINGUAGEM INCLUSIVA — Helena Soares

Who (2020). Why communicate for health. Disponível em: https://www.who.int/about/communications

Vaz de Almeida, C. (2020). Health Competencies: Beyond the Biomedical. How knowledge, skills, and attributes improve the effectiveness of results. Patient Safety & Quality Health Care ‐ PSQH [online) Retrieved from: https://www.psqh.com/analysis/health-competencies-beyond-the-biomedical/

Vaz de Almeida, C., & Belim, C. (2020). Health professionals’ communication competences decide patients’ well-being: Proposal of a communication model. In A. Tkalac Verčič, R. Tench & S. Einwiller, Joy. Using strategic communication to improve well-being and organizational success. 12, (5), Bingley, UK: Emerald Publishing. https://books.emeraldinsight.com/page/detail/Joy/?k=9781800432413

Vaz de Almeida. (2020). A literacia em saúde usa uma linguagem inclusiva. A Pátria [on line] Disponível em https://apatria.org/saude/a-literacia-em-saude-usa-uma-linguagem-inclusiva/

Outras fontes

https://www.soportugues.com.br/secoes/sint/

Este site permite introduzir o texto e verificar se é de complexa ou fácil leitura.

https://cental.uclouvain.be/amesure/

plain language – exemplos dados pelo governo dos estados unidos para a plain language

https://plainlanguage.gov/guidelines/words/use-simple-words-phrases/

fonte do artigo: https://apatria.org/saude/organizacoes-que-usam-linguagem-inclusiva-sao-mais-literadas/


A literacia em saúde usa uma linguagem inclusiva

Por Professora Doutora Cristina Vaz de Almeida


Presidente da SPLS participa em conferência internacional a convite do Dr. Mattia Peradotto, do Governo italiano, e do Dr. Lee Hibard, do Conselho da Europa

 A Professora Doutora Cristina Vaz de Almeida, Presidente da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS), foi convidada como oradora na conferência internacional intitulada “Health Literacy and Human Rights – Connecting Policy with Practice to Promote Inclusion and Combat Discrimination”. O convite surgiu Dr. Lee Hibard, do Conselho da Europa, e do diretor-geral do Gabinete Nacional Contra a Discriminação Racial de Itália, Dr. Mattia Peradotto, e foi realizado no dia 5 de dezembro de 2024, em Roma, das 9h às 18h (horário de Itália).

Organizada pelo Gabinete Nacional Contra a Discriminação Racial de Itália em colaboração com o Conselho da Europa e com o apoio do Ministério da Família, Natalidade e Igualdade de Oportunidades de Itália, a conferência reuniu especialistas de renome para discutir estratégias de promoção da inclusão e combate à discriminação por meio da literacia em saúde.

A Presidente da SPLS teve a oportunidade de contribuir com sua experiência em políticas e práticas de literacia em saúde, reafirmando o papel de Portugal como referência nesta área. O evento foi transmitido ao vivo e gravado, permitindo amplo acesso ao público internacional.

Também o Professor Doutor Miguel Arriaga, da Direção-Geral da Saúde, marcou presença neste evento. O painel abordou a promoção da inclusão no combate à discriminação na sociedade.

Esta participação reflete o reconhecimento do trabalho desenvolvido pela SPLS na promoção da saúde como um direito humano fundamental.

Discurso da Professora Cristina Vaz de Almeida:

Buon pomeriggio a tutti

Desidero salutare il panel in cui mi trovo nella persona del Professor Stephan vandenbroucke , così come i miei colleghi e ringraziare in particolare il Direttore Generale dell ‘ Ufficio Nazionale Contro la Discriminazione Razziale d’Italia,Dott. Mattia Peradotto, e il Direttore Lee Hibbard, della Divisione Diritti Umani e Biomedicina, Direzione Diritti Umani, del Consiglio d’Europa, Preofessora Kristine Sorensen, Prof Miguel Arriaga e Dr. Lorenzo Montrasio (UNAR)

Per me è un grande privilegio poter discutere di un argomento che è nella mia agenda quotidiana, e che vede una luce di conciliazione di volontà , tra così tante persone che lottano in modo simile a me e la società portoghese dell’alfabetizzazione sanitaria. È un piacere essere a Roma. Grazie mille per questo invito

Introdurrò le prime parole in italiano per poi passare all’inglese

L’alfabetizzazione sanitaria consiste nel preservare la fiducia.

È per preservare la sicurezza. 

Serve a preservare l’accessibilità.

È quello di investire nel cambiamento del comportamento con la scienza del comportamento.  

Si tratta di proteggere e difendere i diritti umani

Le persone hanno bisogno di cambiare con azioni semplici e chiare, a piccoli passi

Health literacy is about preserving trust and safety

Its to invest in behavior change with the behavior science.  

It is to protect and defend human rights

People need to change with simple, clear actions, in small steps

Health literacy experts know the science of behavior and know the strategies, principles and models that allow individuals and groups to change their behaviors for more included and socially integrated experiences.

Health literacy experts can help structure more effective public policies, because they know and they are adapted to the real needs of people and target groups. 

They work directly on change behaviour and listen to the voices of citizens.

Health literacy experts must work with policy makers. These experts bridge the gap between citizens, stakeholders and legislators.

In Portugal we have a national plan for health literacy and knowledge of behavior, in which I participated with great pride

We have defined, in this plan, the use of a very practical model – the  COM B model – skills, motivation and opportunity – for behaviour (Michie et al 200’6) opens doors to intervention.

Fighting discrimination needs previous steps, which is to know which populations feel discriminated against and the reasons for this fact.

Promoting inclusion is meeting the expectations of populations that feel the need to be included, and that for various multifactorial and multi-domain reasons, are not.

We know the laws

We have good laws to fight discrimination

So why doesn’t this happen?

Never before has the world, organizations and researchers had so much data on inequalities. 

Throughout the life cycle. 

  1. We have data on the millions of girls and women without education
  2. we have data on domestic violence and woman deaths and injured (140 women are killed every day by their close relatives)
  3. We know that economic deprivation is a predictor of more obese populations, with more hypertension, more diabetes, more cardiovascular and oncological diseases. The data speak for themselves.  

And with so much data, what needs to be done?

We need to listen more to citizens and make interventions tailored to their needs. Invest more in health literacy, which promotes greater empower.  This has been our work at the Portuguese Society for Health Literacy.

Health literacy allows working with all stakeholders. Those who feel discriminated against, and those who discriminate.

Everyone counts.

In this sense, it is necessary to give a voice to everyone, especially those who are most vulnerable- older people, people with disabilities, people from different cultures, people in economic need, women and children. To know precisely what the problem is, what the belief, what the barrier, what is the opportunity.

The mini-assemblies of health, based on scientific methods (organized by the Portuguese Society of Health Literacy) with more vulnerable populations showed the power of the citizen’s voice.

To give a voice is to invest in basic rights to lincrease people’s empowerment. Listening and sharing their needs is a starting point for securing better rights. These mini-assemblies are organized on the basis of meaningful scientific methods such as the nominal group technique

These interventions must be carried out in a network, with municipalities, patient associations, social and health associations of community intervention. 

They have a very positive effect on vulnerable populations, which are generally little listened to.

Everyone should have a voice and not be replaced. 

Health literacy is like a hurricane, in the eye of a transformation of the rights of the person

Non ci può essere regolamentazione, politica pubblica o legge que non soddisfano esattamente i bisogni delle persone e i loro problemi , in modo da poter promuovere un accesso equo, la comprensione e l’uso corretto delle risorse sanitarie. Mille Grazie

A contribution from my friend Ana Paula Reis, one dinamic portuguese activist

I am going to talk trough the voice of Ana Paula Reis

She fell from the 8th floor and survicved

Today she is a person with a physical disability aho is a great acivist in Portugal.

She’s a good friend and I asked her for a sentence/idea that was very meaninful to her about the human rights of people with disabilities who have represented here. It reads as follow:

 

World Society must reflect with empathy and sensoivity on “difference”. And respect it. I wish above al that we continue to fight for na improvenment on behaviors and attitudes. We must involve vulnerable groups to not perpetuate marginalization. To gove a voice top people is to invest in basic rights to increase peoples’s empowerment


Feminicídios em 2023: Estimativas Globais de Feminicídios por Parceiros Íntimos ou Membros da Família

Globalmente, aproximadamente 51.100 mulheres e meninas foram mortas por parceiros íntimos ou outros membros da família durante 2023. Este número é superior à estimativa de 2022, de 48.800 vítimas, mas a diferença não reflete necessariamente um aumento real, sendo em grande parte atribuída a variações na disponibilidade de dados ao nível dos países.

O número de 2023 significa que 60% das quase 85.000 mulheres e meninas assassinadas intencionalmente durante o ano foram mortas por parceiros íntimos ou outros familiares. Em outras palavras, uma média de 140 mulheres e meninas em todo o mundo perderam a vida todos os dias nas mãos de um parceiro ou parente próximo.

 

 


A OMS apela a uma maior atenção para a violência contra mulheres com deficiência e mulheres idosas

Mulheres idosas e mulheres com deficiência enfrentam um risco particular de abuso, mas a sua situação permanece amplamente invisível na maioria dos dados globais e nacionais relacionados com a violência, segundo duas novas publicações divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A agência de saúde apela a uma melhor investigação em diversos países para garantir que estas mulheres sejam contabilizadas e que as suas necessidades específicas sejam compreendidas e atendidas.

Quando existem dados sobre a violência baseada no género entre estes grupos, a evidência mostra uma elevada prevalência. Uma revisão sistemática identificou maiores riscos de violência por parceiro íntimo em mulheres com deficiência em comparação com aquelas sem deficiência, enquanto outra também encontrou taxas mais elevadas de violência sexual.

Continuar a ler aqui.

 


Segundo a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, no terceiro trimestre de 2024:

  • 5 mulheres e 1 homem foram vítimas de homicídio voluntário em contexto de Violência Doméstica
  • 8415 foram as ocorrências participadas à PSP e GNR
  • 1369 pessoas estavam presas pelo crime de Violência Doméstica: 1027 em prisão efetiva e 342 em prisão preventiva