Literacia em saúde segundo a Dra. Coralie Alves

Data Evento

7 de Julho, 2025    
Todo o dia

Literacia em saúde segundo a Dra. Coralie Alves

Enquanto Médica de Medicina Geral e Familiar (MGF), acredito profundamente no papel central que desempenhamos na promoção da Literacia em Saúde junto dos nossos utentes e das comunidades. Através de uma abordagem holística e centrada na pessoa — características intrínsecas da nossa Especialidade — é possível identificar os determinantes de saúde de cada utente, considerando não apenas os fatores individuais, mas também os contextos familiares, sociais e ambientais. Essa abordagem permite-nos, ainda, disponibilizar as ferramentas necessárias para que a informação em saúde seja compreendida e utilizada de forma adequada, tendo a Literacia em Saúde como um instrumento central na promoção da saúde.

De acordo com a Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS), a Literacia em Saúde é “um conjunto de conhecimentos, motivações e competências que permitem aos indivíduos aceder, compreender, avaliar e utilizar informação de saúde para tomar decisões informadas sobre os seus cuidados de saúde”.

Importa sublinhar que a Literacia em Saúde ultrapassa a mera competência cognitiva ou social de encontrar informação fidedigna nesta área. Trata-se de um saber abrangente, que permite ao cidadão transformar a informação adquirida em ganhos concretos em saúde, refletindo-se também em benefícios psicossociais, económicos e de saúde pública. (entre outros). 

A sua implementação em diferentes contextos sociais permite que os utentes se sintam mais incluídos e capacitados para participar ativamente nas decisões relacionadas com a sua saúde. Este empoderamento contribui, não só para a promoção global da saúde, como também para a prevenção de doenças crónicas e para uma melhor gestão das suas possíveis sequelas.

Apesar dos avanços já alcançados e da crescente preocupação com esta área, persistem desafios significativos. Destacam-se as dificuldades no acesso a informações confiáveis e adequadas às necessidades das diferentes populações, bem como a necessidade contínua de capacitação dos profissionais de saúde nessa área. Assim, torna-se fundamental o desenvolvimento de estratégias integradas e multissetoriais, com materiais informativos acessíveis e compreensíveis, especialmente para as populações mais vulneráveis.

Enquanto Médica de MGF, procuro identificar ativamente as necessidades dos meus utentes no que diz respeito à Literacia em Saúde. Contudo, reconheço que persistem lacunas na minha formação neste domínio. Foi nesse contexto de reflexão, que decidi tornar-me sócia da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS). É uma área que sempre me fascinou, e estou convicta de que o meu envolvimento na SPLS, aliado ao aprofundamento da minha formação, será essencial para reforçar a minha capacidade de promover a Literacia em Saúde junto das pessoas e dos contextos com os quais colaboro.

Permito-me terminar com uma citação de Paulo Freire: “A educação não transforma o mundo. A educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”. É neste espírito que encaro a Literacia em Saúde: não apenas como uma competência técnica, mas sim um caminho transformador, que deve estar presente todos os dias enquanto médicos, profissionais de saúde e cidadãos.