SPLS apoia a posição da Dr. Mariana Coutinho sobre os riscos da desinformação em saúde

Data Evento

11 de Setembro, 2025    
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SPLS apoia a posição da Dr. Mariana Coutinho sobre os riscos da desinformação em saúde

A Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS) apoia incondicionalmente a posição da Dr. Mariana Coutinho — psicóloga, sobrevivente de cancro e patient advocate — alertando para o enorme risco que representam influenciadores sem preparação e sem evidência científica.

Assim, a SPLS reafirma o seu compromisso com decisões informadas, baseadas na melhor evidência científica, e rejeita práticas e mensagens que promovam falsas curas ou culpabilizem doentes. Publicamos na íntegra o texto de opinião da Dra. Mariana Coutinho:

Não podia deixar de escrever sobre isto, porque este é um tema que é muito próximo da minha realidade. Enquanto sobrevivente de cancro, foram mais que muitas as vezes em que tive de ouvir comentários não solicitados e sugestões do género: “isso é porque não estás alinhada”, “há terapias alternativas que curam melhor que a medicina”. Quem nunca passou por esta experiência talvez não perceba o quanto estas palavras são violentas para quem está a lutar pela vida.

Ainda há alguns anos ouvi alguém afirmar que só tem cancro quem quer, porque “manifesta a doença” ou porque “carrega muitas emoções negativas”. Parecendo uma mensagem de “empoderamento”, na prática é um discurso cruel, perigoso e profundamente desrespeitador para quem passa por esta doença e para as famílias que sofrem com ela.

Infelizmente, há cada vez mais “gurus espirituais” que se aproveitam da dor e do medo dos outros ( em particular numa altura em que a incidência de casos de cancro não pára de aumentar) para encherem os próprios bolsos com cursos, sessões milagrosas e promessas vazias.

Dou um exemplo:pessoalmente conheci um bebé de apenas 3 meses diagnosticado com cancro. O que terá ele “manifestado”? Que emoções carregava? A doença já vinha desde a barriga da mãe? fora todas as outras crianças que conheci enquanto fazia voluntariado no serviço de oncologia do hospital pediátrico de Coimbra. A lógica é absurda..

É comum ouvir comentários acerca da indústria farmacêutica, dizendo que só quer ganhar dinheiro com a doença. Pois bem, exatamente o mesmo se aplica a estes vendedores de banha da cobra, que exploram o desespero alheio para benefício próprio..só que, ao contrário da medicina, não salvam vidas.

Eu tive cancro aos 22 anos e novamente aos 28. Se hoje estou aqui, é graças à ciência, à medicina e sim, também graças à indústria farmacêutica. Foram eles que me deram tratamento, esperança e, sobretudo, a cura. E por isso só posso agradecer.