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 da-tuberculose-da-direcao-geral-da-saude/
SUMMARY:Participação no 2.º Encontro Nacional da Tuberculose da Direçã
 o Geral da Saúde
DESCRIPTION:Participação no 2.º Encontro Nacional da Tuberculose da Dire
 ção Geral da Saúde\n Literacia em saúde na abordagem à tuberculose: 
 o papel estruturante da SPLS \nHélder Carreira\, \n\nVice-Presidente da
  Comissão de Ética da SPLS\; Interlocutor para a Tuberculose da Unidade 
 Local de Saúde da Região de Leiria\; Doutorando em Gestão pela Universi
 dade da Beira Interior\; Enfermeiro Especialista e Mestre em Enfermagem Co
 munitária\; Pós-Graduado em Gestão e Administração em Saúde.\n\n[fus
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 ery]\n\n&nbsp\;\n\nA participação enquanto palestrante no 2.º Encontro 
 Nacional da Tuberculose\, promovido pela Direção-Geral da Saúde no Audi
 tório do Centro de Reabilitação do Norte\, constituiu uma oportunidade 
 singular para apresentar o projeto Advanced Tuberculosis Management (ATM)\
 , desenvolvido no serviço Consultas Respiratórias da Comunidade da Unida
 de Local de Saúde da Região de Leiria. Este evento\, que reuniu alguns d
 os maiores especialistas nacionais na área\, proporcionou um contexto pri
 vilegiado para partilhar experiências inovadoras e consolidar redes de co
 nhecimento interdisciplinar. O projeto ATM\, que tem contado desde sempre 
 com o apoio incondicional da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde\,
  exemplifica como abordagens centradas na literacia podem reconfigurar pr
 áticas clínicas e epidemiológicas.\n\nEsta experiência de apresentaç
 ão reforçou a convicção de que a tuberculose se desenha no panorama ep
 idemiológico português como uma interrogação persistente que desafia a
 s narrativas lineares do progresso médico. A manutenção de uma taxa de 
 notificação de 14\,9 casos por 100 mil habitantes em 2023\, idêntica ao
  ano precedente\, revela não apenas uma estagnação numérica\, mas uma 
 resistência estrutural que nos convoca a repensar os fundamentos conceptu
 ais da abordagem à doença. Portugal permanece distante dos objetivos est
 abelecidos pela Organização Mundial da Saúde para 2035\, situação que
  exige uma arqueologia crítica dos pressupostos que orientam as práticas
  de saúde pública.\n\nEsta realidade epidemiológica não emerge do vazi
 o ontológico. Manifesta-se como expressão de uma teia complexa onde os d
 eterminantes sociais\, económicos e culturais se entrelaçam com competê
 ncias individuais e comunitárias para navegar informação\, serviços e 
 decisões relacionadas com saúde. A literacia em saúde\, longe de se red
 uzir a um conjunto de competências técnicas mensuráveis\, revela-se com
 o processo multidimensional que medeia a relação entre conhecimento\, a
 ção e transformação epidemiológica.\n\nA literacia em saúde\, enquan
 to constructo teórico\, experienciou uma evolução paradigmática desde 
 conceptualizações iniciais centradas na capacidade de descodificação d
 e informação médica até frameworks contemporâneos que incorporam dime
 nsões críticas\, comunicacionais e participativas (Nutbeam\, 2008\; Sør
 ensen et al.\, 2012). Esta evolução espelha um reconhecimento crescente 
 de que competências em saúde não se circunscrevem ao processamento cogn
 itivo individual\, mas envolvem capacidades de navegação em sistemas com
 plexos\, avaliação crítica de informação e participação ativa em pr
 ocessos de decisão que afetam a própria existência.\n\nA literatura cie
 ntífica contemporânea evidencia correlações robustas entre limitaçõe
 s na literacia em saúde e resultados adversos em múltiplas dimensões: a
 umento da mortalidade\, maior utilização de serviços de emergência\, r
 eduzida adesão terapêutica e limitada participação em programas preven
 tivos (Berkman et al.\, 2011\; Cajita et al.\, 2016). No contexto específ
 ico de doenças infeciosas\, estas limitações amplificam-se exponencialm
 ente\, criando vulnerabilidades particulares ao diagnóstico precoce e ade
 são ao tratamento prolongado.\n\nA tuberculose manifesta-se como fenómen
 o que transcende a mera categorização nosológica\, configurando-se como
  indicador sensível de quebras sociais e vulnerabilidades sistémicas. A 
 sua incidência correlaciona-se significativamente com determinantes socia
 is da saúde\, incluindo condições habitacionais\, estatuto socioeconóm
 ico\, processos migratórios e arquiteturas de acesso a cuidados (Hargreav
 es et al.\, 2011\; Lönnroth et al.\, 2009).\n\nA persistência epidemiol
 ógica da tuberculose em Portugal revela uma paradoxal contemporaneidade: 
 enquanto possuímos tecnologias diagnósticas e terapêuticas eficazes\, m
 antemos padrões de incidência que testemunham a inadequação de abordag
 ens puramente biomédicas. Esta realidade convoca uma reflexão sobre as e
 struturas de poder e conhecimento que configuram as práticas de saúde p
 ública\, interrogando se as modalidades dominantes de intervenção incor
 poram adequadamente as vozes e saberes das comunidades afetadas.\n\nA conv
 ergência entre literacia em saúde e tuberculose manifesta-se através de
  múltiplas dimensões críticas que exigem análise sofisticada. Primeiro
 \, o reconhecimento precoce de sintomas depende da capacidade individual d
 e interpretar sinais corporais\, contextualizar informação sobre a doen
 ça e navegar sistemas de saúde complexos. A mediana de dias até ao diag
 nóstico permanece elevada\, sugerindo lacunas na interface entre competê
 ncias individuais e responsividade sistémica.\n\nSegundo\, a adesão ao t
 ratamento da tuberculose\, caraterizado pela sua duração prolongada e co
 mplexidade farmacológica\, exige compreensão sofisticada sobre mecanismo
 s fisiopatológicos\, importância da continuidade terapêutica e gestão 
 de efeitos secundários. Limitações na literacia em saúde podem comprom
 eter esta adesão\, contribuindo para resistências farmacológicas e perp
 etuação da transmissão numa lógica de reprodução sistémica das vuln
 erabilidades.\n\nA constituição da Sociedade Portuguesa de Literacia em 
 Saúde (SPLS) em 2022 representa um marco epistemológico na abordagem sis
 temática às competências de saúde\, transcendendo iniciativas fragment
 adas para constituir uma plataforma estruturada de intervenção. Esta org
 anização emerge de um investimento iniciado em 2011\, revelando uma matu
 ração conceptual que reconhece a literacia em saúde como domínio cient
 ífico autónomo e socialmente relevante.\n\nA SPLS desenvolve atividades 
 que se estendem desde formação dirigida a profissionais de educação e 
 saúde até ações de sensibilização comunitária\, incorporando format
 os digitais inovadores. Esta abordagem multissectorial reconhece que a lit
 eracia em saúde não se circunscreve ao sector da saúde\, mas permeia di
 ferentes contextos sociais\, educacionais e culturais\, configurando-se co
 mo fenómeno transversal que exige articulação interdisciplinar.\n\nNo c
 ontexto específico da tuberculose\, a SPLS pode contribuir através de v
 árias dimensões estratégicas que transcendem a mera transmissão inform
 ativa. Primeiro\, desenvolvendo materiais educativos culturalmente apropri
 ados que abordem não apenas aspetos técnicos da doença\, mas também di
 mensões simbólicas\, estigma social e barreiras estruturais ao diagnóst
 ico e tratamento. Segundo\, capacitando profissionais de saúde para comun
 icação dialógica com populações vulneráveis\, incluindo comunidades 
 migrantes onde a incidência tem aumentado significativamente.\n\nA aborda
 gem da tuberculose através da literacia em saúde convoca questões funda
 mentais sobre justiça epistémica e reconhecimento de diferentes formas d
 e conhecimento. A tendência crescente de casos entre populações migrant
 es exemplifica como fatores macro-sociais podem comprometer a eficácia de
  intervenções baseadas exclusivamente em paradigmas biomédicos dominant
 es\, negligenciando saberes tradicionais e experiências vividas.\n\nA com
 plexidade da tuberculose enquanto doença social manifesta-se particularme
 nte quando consideramos que quase metade dos europeus pode não conseguir 
 compreender material essencial relacionado com saúde. Esta realidade reve
 la não apenas limitações individuais\, mas inadequações sistémicas n
 a produção e disseminação de conhecimento em saúde\, sugerindo necess
 idade de reconfiguração das modalidades comunicacionais e educativas.\n\
 nA era digital introduz novas dimensões na literacia em saúde\, incluind
 o capacidades de avaliação crítica de informação online\, navegação
  em plataformas digitais e gestão de telemedicina. Estas competências di
 gitais tornam-se particularmente relevantes no contexto da tuberculose\, o
 nde seguimento prolongado e monitorização podem beneficiar significativa
 mente de ferramentas tecnológicas\, desde que integradas numa perspetiva 
 de equidade e acessibilidade.\n\nA SPLS\, através da sua Revista Portugue
 sa de Literacia em Saúde\, estabelece um espaço académico para investig
 ação rigorosa e disseminação de conhecimento. Esta plataforma pode cat
 alisar investigação específica sobre tuberculose\, explorando interven
 ções inovadoras e avaliando eficácia de abordagens centradas na literac
 ia\, contribuindo para uma base de evidência robusta que oriente prática
 s futuras.\n\nA tuberculose\, enquanto persistência epidemiológica no pa
 norama português\, configura-se como espelho que reflete fragilidades est
 ruturais que transcendem dimensões puramente técnicas. A literacia em sa
 úde emerge como arquitetura conceptual que permite reconfigurar abordagen
 s\, reconhecendo que competências individuais e comunitárias constituem 
 determinantes críticos de resultados epidemiológicos\, mas também expre
 ssões de dignidade epistémica que merecem reconhecimento e valorização
 .\n\nA SPLS representa uma oportunidade histórica para abordar estas inte
 rsecções de forma sistemática e evidenciada. Através da capacitação 
 de profissionais\, desenvolvimento de materiais educativos culturalmente a
 propriados\, investigação aplicada e criação de pontes entre sistemas 
 e comunidades\, a SPLS pode contribuir para alterar trajetórias epidemiol
 ógicas através de uma epistemologia da transformação que reconheça a 
 centralidade dos sujeitos e comunidades nos processos de saúde.\n\nContud
 o\, esta transformação exige reconhecimento de que a literacia em saúde
  não constitui panaceia tecnocrática\, mas arquitetura conceptual que de
 ve dialogar criticamente com determinantes sociais\, políticas públicas 
 e transformações estruturais. A eficácia das intervenções dependerá 
 da capacidade de articular competências individuais com mudanças sistém
 icas\, criando ecossistemas de saúde mais equitativos\, responsivos e epi
 stemicamente justos.\n\nO caminho para reduzir a incidência da tuberculos
 e e aproximar Portugal das metas estabelecidas pela Organização Mundial 
 da Saúde passa necessariamente por investimento sustentado em literacia e
 m saúde\, reconhecendo que competências da comunidade constituem recurso
 s fundamentais para saúde pública\, mas também expressões de cidadania
  epistémica que merecem cultivo e respeito. A SPLS\, enquanto agente cata
 lisador desta transformação\, pode liderar um movimento que posicione Po
 rtugal como exemplo de como a capacitação comunitária\, ancorada em pri
 ncípios de justiça epistémica\, pode alterar trajetórias epidemiológi
 cas e promover saúde como direito fundamental e expressão de dignidade h
 umana.\n\n&nbsp\;\n\nReferências Bibliográficas\n\nBerkman\, N. D.\, She
 ridan\, S. L.\, Donahue\, K. E.\, Halpern\, D. J.\, &amp\; Crotty\, K. (20
 11). Low health literacy and health outcomes: An updated systematic review
 . Annals of Internal Medicine\, 155(2)\, 97-107. https://doi.org/10.7326/0
 003-4819-155-2-201107190-00005\n\nCajita\, M. I.\, Cajita\, T. R.\, &amp\;
  Han\, H. R. (2016). Health literacy and heart failure: A systematic revie
 w. Journal of Cardiovascular Nursing\, 31(2)\, 121-130. https://doi.org/10
 .1097/JCN.0000000000000229\n\nHargreaves\, J. R.\, Boccia\, D.\, Evans\, C
 . A.\, Adato\, M.\, Petticrew\, M.\, &amp\; Porter\, J. D. (2011). The soc
 ial determinants of tuberculosis: From evidence to action. American Journa
 l of Public Health\, 101(4)\, 654-662. https://doi.org/10.2105/AJPH.2010.1
 99505\n\nLönnroth\, K.\, Jaramillo\, E.\, Williams\, B. G.\, Dye\, C.\, &
 amp\; Raviglione\, M. (2009). Drivers of tuberculosis epidemics: The role 
 of risk factors and social determinants. Social Science &amp\; Medicine\, 
 68(12)\, 2240-2246. https://doi.org/10.1016/j.socscimed.2009.03.041\n\nNut
 beam\, D. (2008). The evolving concept of health literacy. Social Science 
 &amp\; Medicine\, 67(12)\, 2072-2078. https://doi.org/10.1016/j.socscimed.
 2008.09.050\n\nSørensen\, K.\, Van den Broucke\, S.\, Fullam\, J.\, Doyle
 \, G.\, Pelikan\, J.\, Slonska\, Z.\, &amp\; Brand\, H. (2012). Health lit
 eracy and public health: A systematic review and integration of definition
 s and models. BMC Public Health\, 12(1)\, 80. https://doi.org/10.1186/1471
 -2458-12-80\n\nSociedade Portuguesa de Literacia em Saúde. (2025). Sobre 
 a SPLS. https://splsportugal.com/sobre/\n\nSociedade Portuguesa de Literac
 ia em Saúde. (2025). Projetos nacionais de literacia em saúde. https://s
 plsportugal.com/events/projetos-nacionais-de-literacia-em-saude/\n\nSocied
 ade Portuguesa de Literacia em Saúde. (2025). Revista Portuguesa de Liter
 acia em Saúde. https://splsportugal.com/rpls/\n\n&nbsp\;
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