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SUMMARY:"Nos caminhos da Literacia em Saúde". Crónica da enf. Deolinda Pi
 nto\, Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Arronches
DESCRIPTION:"Nos caminhos da Literacia em Saúde". Crónica da enf. Deolind
 a Pinto\, Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Arronches\nA saúde 
 é um dos pilares fundamentais do bem-estar humano\, e a capacidade de com
 preender e tomar decisões informadas sobre questões de saúde é essenci
 al para uma vida plena e saudável. No entanto\, num mundo cada vez mais c
 omplexo\, onde a informação sobre saúde é abundante e muitas vezes con
 fusa\, a literacia em saúde emerge como uma habilidade crucial para naveg
 ar pelas nuances do sistema de saúde e tomar decisões conscientes sobre 
 cuidados pessoais.\nAssim\, ao considerar as competências dos indivíduos
  para controlarem a própria saúde\, a promoção da saúde\, pautada na 
 ideia de envolvimento de todas as pessoas e setores da sociedade\, garante
  aos sujeitos um lugar de autoria (Saboga-Nunes\, 2018). A motivação em 
 assumir responsabilidades sobre a própria saúde impacta no construto de 
 literacia em saúde que faz a ancoragem de diferentes e vários conceitos.
 \nLiteracia em Saúde define-se como o conjunto de habilidades cognitivas 
 e sociais que determinam a motivação e a capacidade dos indivíduos para
  obter\, compreender\, avaliar e aplicar a informação de forma a fazer j
 uízos e tomar decisões na vida quotidiana sobre cuidados de saúde\, pre
 venção de doenças e promoção de saúde (Sørensen\, 2013)\nA literaci
 a em saúde vai além da capacidade de ler e compreender informações cl
 ínicas\; envolve também a habilidade de avaliar criticamente essas infor
 mações\, aplicá-las às próprias circunstâncias e tomar decisões fun
 damentadas em relação à saúde. Infelizmente\, estudos mostram que muit
 as pessoas enfrentam dificuldades significativas nesse aspeto\, o que pode
  resultar em consequências adversas para sua saúde e bem-estar (Sørense
 n\, et al.\, 2012).\nUm dos principais desafios enfrentados na promoção 
 da literacia em saúde é a disparidade no acesso à informação e na cap
 acidade de compreensão. Fatores como educação\, linguagem\, cultura e a
 cesso aos serviços de saúde desempenham um papel crucial nesse cenário(
 Hu\, Zhou\, Crowley-McHattan\, &amp\; Liu\, 2021). Portanto\, é imperativ
 o que esforços sejam direcionados para tornar a informação médica mais
  acessível e compreensível para todos\, independentemente de sua formaç
 ão ou contexto socioeconômico.\nO contacto com os profissionais de saúd
 e é um meio privilegiado para recolher informação sobre saúde\, contud
 o\, além da interação com os profissionais\, torna-se necessário perce
 ber se o paciente compreendeu todas as instruções que lhe foram fornecid
 as para a sua posterior reabilitação (Antunes\, 2004). O mesmo é dizer
  que a melhoria da comunicação com os profissionais de saúde também é
  um meio que pode ajudar a melhorar a literacia em saúde (Nielsen-Bohlman
 \, Panzer\, &amp\; Kindig\, 2004).\nOs profissionais de saúde são cada v
 ez mais os mediadores nos processos de doença/saúde entre os pacientes e
  unidades de saúde\, exigindo um conjunto de competências pessoais (Ten
 ch &amp\; konczos\, 2013) que são transversais às áreas da psicologia\,
  sociologia\, gestão\, comunicação\, entre outros (Vaz de Almeida.\, 2
 019). A comunicação dos profissionais de saúde tem-se revelado crucial 
 na visão holística da pessoa\, no acesso a informações que estão disp
 oníveis digitalmente e/ou em suporte de papel. Contudo embora importante 
 não é suficiente para que os cidadãos compreendam a informação e tome
 m decisões em função das mesmas. Estes pressupostos de compreender\, de
  aceder e navegar no sistema de saúde incorporam o conceito de literacia 
 em saúde.\nA comunicação baseia-se em quatro funções essenciais\, seg
 undo Bilhim (2011) controla comportamentos\; motiva as pessoas esclarecer 
 sobre o que deve ser feito\; vai de encontro às necessidades de afiliaç
 ão\; fornece informação necessária à tomada de decisão (Bilhim\, 201
 1). Tendo por base estes pressupostos\, comunicar a informação não impl
 ica\, necessariamente\, a participação ativa do cidadão na tomada de de
 cisão. Importa trazer à coação o paradigma Lasswell “quem diz o quê
 \; em que canal\; para quem\; com que finalidade”\, o mesmo é dizer a c
 have para o sucesso está na comunicação. Em contexto de saúde o proces
 so comunicacional implica relações entre a equipa de saúde\, famílias\
 , utilizadores dos serviços de saúde e comunidade. Este olhar entre os p
 rofissionais\, pacientes e famílias carece de urgente formação em liter
 acia em saúde por forma a capacitar os mesmos e que a sua participação 
 seja efetiva na promoção\, prevenção e reabilitação.\nA capacidade d
 e comunicar é fundamental em qualquer relação\, ganhando maior destaque
  no que concerne à saúde. O profissional de saúde tem na comunicação 
 o seu maior ativo na mobilização e partilha de conceitos visando o empod
 eramento dos utentes e famílias na tomada de decisão sobre a sua saúde.
 \nA investigação empírica tem demonstrado consistentemente que a qualid
 ade da comunicação entre os profissionais de saúde e o utente assume-se
  como uma das principais variáveis explicativas do processo de saúde-doe
 nça\, da recuperação e da otimização da saúde. (Lamela &amp\; Basto
 s\, 2012). Também Wittenberg-Lyles et al (2013) evidenciaram que uma comu
 nicação eficaz permite a satisfação do utente e a adesão aos cuidados
  de saúde com resultados positivos\, sempre que a mesma é adaptada às c
 apacidades cognitivas\, ao nível cultural\, educacional e às crenças de
  saúde de cada pessoa (Wittenberg‐Lyles\, Goldsmith\, Richardson\, Hall
 ett\, &amp\; Clark\, 2013). No pressuposto que é impossível não comunic
 ar\, os intervenientes do processo devem ter presente as consequências da
  comunicação\, ou seja\, é uma ferramenta que produz efeito no comporta
 mento dos envolvidos.\nNo sistema de saúde\, a comunicação torna-se cad
 a vez mais uma técnica terapêutica\, uma habilidade clínica que cria re
 lações fundamentais e que pode trazer benefícios aos envolvidos\, consi
 derações pelas quais a apropriação de altas habilidades comunicativas 
 deve ser prioridade para os profissionais de saúde e (Chichirez &amp\; P
 urcărea\, 2018) desta forma minimizar o risco de ter um profissional de s
 aúde que aplica todo o seu conhecimento e competência técnica ao utente
 \, e este não assimila o que lhe foi transmitido contribuindo para um mai
 or risco da sua saúde e menor promoção e autocuidado (Vaz de Almeida\, 
 2022).\nEm última análise\, a promoção da literacia em saúde não se 
 trata apenas de transmitir informações aos pacientes\, mas sim de capaci
 tá-los a compreender\, questionar e participar ativamente no seu próprio
  cuidado de saúde. Os profissionais de saúde desempenham um papel crucia
 l nesse processo\, não apenas como provedores de conhecimento\, mas como 
 facilitadores do empoderamento dos pacientes.\nAo adotar uma abordagem cen
 trada no paciente\, os profissionais de saúde reconhecem que cada indiví
 duo é único\, com suas próprias necessidades\, valores e capacidades. E
 ssa visão incentiva uma comunicação aberta e colaborativa\, na qual o p
 aciente é visto como um parceiro igual na definição de estratégias par
 a cuidar do seu processo de saúde/doença.\nQuando os pacientes se sentem
  capacitados e envolvidos no seu próprio cuidado\, são mais propensos a 
 adotar comportamentos saudáveis\, aderir ao tratamento e fazer escolhas i
 nformadas. Isso não só melhora os resultados clínicos\, mas também for
 talece a relação entre pacientes e profissionais de saúde\, promovendo 
 uma colaboração eficaz e de longo prazo.\nPortanto\, insto a comunidade 
 de saúde a priorizar a promoção da literacia em saúde e a adotar prát
 icas que reforcem a compreensão\, aprendizagem e participação ativa dos
  pacientes. Somente através dessa abordagem holística e capacitadora pod
 emos alcançar uma verdadeira transformação no cuidado de saúde\, onde 
 pacientes e profissionais caminham juntos em direção a uma vida mais sau
 dável e plena.\n\n\n\n\n&nbsp\;\nREFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS\nAntunes\, 
 M. D. (2004). A literacia em saúde: investimento na promoção da saúde 
 e na racionalização de custos. As Bibliotecas Da Saúde: Que Futuro? Act
 as Das XI Jornadas APDIS\,123-133.\nBilhim\, J. (2011). Questões actuais 
 de Gestão Estratégica de Recursos Humanos. Lisboa: Lisboa: Instituo Supe
 rior de Ciências Sociais e Políticas.\nChichirez\, C. M.\, &amp\; Purcă
 rea\, V. L. (2018). Interpersonal communication in healthcare. Journal of 
 medicine ande life\, 119.\nHu\, D.\, Zhou\, S.\, Crowley-McHattan\, Z. J.\
 , &amp\; Liu\, Z. (2021). Factors that influence participasical activity i
 n school-aged children and adolescents: a systematic review from the socia
 l ecological model perspective. International journal of environmental res
 earch and public health\, 3147.\nLamela\, D.\, &amp\; Bastos\, A. (2012). 
 Comunicação entre os profissionais de saúde e o idoso: uma revisão da 
 investigação. Psicologia&amp\;Sociedade\, 684-690.\nNielsen-Bohlman\, L.
 \, Panzer\, A.\, &amp\; Kindig\, D. (2004). Health Literacy: A prescriptio
 n to end confusion. Washington\, D.C.: National Academy of Sciences.\nSabo
 ga-Nunes\, L. (2018). Promoção para a literacia em contextos de saúde. 
 . I seminario de Literacia em Saúde.Esposende.\nSørensen\, K.\, Van den 
 Broucke\, S.\, Fullam\, J.\, Doyle\, G.\, Pelikan\, J.\, Slonska\, Z.\, &a
 mp\; Brand\, H. (2012). Health literacy and public health\; A systematic r
 eview and integration of definitions and models. BMC Public Health.\nTench
 \, R.\, &amp\; konczos\, M. (2013). Mapping European communication practit
 ioners competencies. London: ECOPSI.\nVaz de Almeida.\, C. (2019). Modelo 
 de comunicação em saúde ACP: As competências de comunicação no cerne
  de uma literacia em sáude transversal\, holística e prática. Em C. (. 
 Almeida\, Literacia em saúde na prática (pp. 43-52). Lisboa: Edições I
 SPA.\nWittenberg‐Lyles\, E.\, Goldsmith\, Richardson\, B.\, Hallett\, J.
 \, &amp\; Clark\, R. (2013). The practical nurse: a case for Confort commu
 nication training. Am J Hospital Palliat care\, 162-166https://doi.org/10.
 1177/1049909112446848.\n
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