Professora Margarida Gaspar de Matos é Membro Honorário da SPLS

Data Evento

1 de Março, 2024    
Todo o dia

Professora Margarida Gaspar de Matos é Membro Honorário da SPLS

Em 2024, a Professora Doutora Margarida Gaspar de Matos passa a fazer parte dos membros honorários da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS).

 

  • Quais foram as razões que a levaram a aceitar este convite da SPLS para Membro Honorário?

É uma honra este convite da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde através da sua presidente, uma honra que tem a ver por um lado com a minha identificação com a sua missão que vem aliás preencher uma lacuna a nível da Sociedade Civil, nesta área de toda a relevância e atualidade.

A sua presidente, Professora Doutora Cristina Vaz de Almeida, é uma figura de destaque que muito tem batalhado em prol da Literacia em Saúde, não só na população em geral e ao longo da vida, como também entre os próprios profissionais de saúde, na afinação dos conhecimentos, na promoção da comunicação e na otimização da ação na articulação entre si, e entre estes e as políticas públicas.

Por tudo isto é com enorme honra e sentido de missão que junto os meus esforços aos esforços desta Sociedade, a quem desejo muito sucesso.

  • O que poderemos fazer mais para melhorar o nível de literacia em saúde do cidadão?

Tradicionalmente, falamos de um aumento de informação credível, baseada na evidência, informação que se traduza em conhecimentos  e não em “crendices”. Tradicionalmente falamos de motivação para  uma ação transformadora e, por fim, na capacidade de desenvolver ações participadas, com foco na promoção da saúde dos ” habitantes” e dos “ambientes” , incluindo o que se chamou “One Health” ou “Saúde Planetária”. São inúmeras e diversas as áreas de relevância e até de urgência.

Falaríamos do papel das pessoas e dos seus comportamentos na Saúde do Planeta, e na interação entre a Saúde do Planeta e a Saúde dos seus habitantes. A questão aqui sendo a preservação da saúde e bem-estar dos ecossistemas.

Falaríamos dos primeiros 1000 dias e da importância da saúde materno-infantil , tão ameaçada com as tais “crendices” que proliferam à margem de qualquer evidência, e danificam a saúde dos envolvidos. Refiro-me concretamente a alguns esoterismos que levam a preferências de partos em casa,  associáveis a um aumento de acidentes com lesões mais ou menos permanentes no bebé. Refiro-me concretamente à relutância de alguns pais face a cuidados médicos certificados cientificamente, como é exemplo a vacinação, cuja negligência prejudica seriamente os envolvidos.

Falaríamos da importância do apoio às famílias, na gestão da educação dos seus filhos, para que crescer sejam um exercício de prazer, de regras de cultura  e de afetos partilhados e não um permanente braço de ferro, de troca de stresses recíprocos acumulados.

Falaríamos da importância de permitir que o tempo da escola e das aprendizagens seja um tempo de florescimento, de aumento da curiosidade pelo mundo físico e social, de desenvolvimento pessoal e social. Para que as crianças descubram que para aprender é preciso esforço, mas também é um prazer e consigam, na escola como depois na vida, tirar prazer das aprendizagens.

Falaríamos da importância de um trabalho digno, em locais de trabalhos saudáveis. Para que o trabalho não seja apenas um fator de stress e de adoecimento.

Falaríamos da importância de um envelhecimento digno, na comunidade e sempre que possível desinstitucionalizado, perto do que (e dos que) são importantes. Para acabar com a visão higienicista e reprovada repetidamente pela evidência cientifica de que, desde que haja pão e medicamentos, o idoso está bem, feliz e saudável.

Falariamos de muito mais… Mas aqui ficam alguns exemplos para reflexão.

Falamos de Literacia em Saúde pondo as pessoas e os seus contextos de vida ao centro, o conhecimento cientifico a fornecer conhecimentos e a guiar ações,  e as Politica Públicas a permitir.

 

É com enorme gratidão que integramos na SPLS a Professora Doutor Margarida Gaspar de Matos. A sua riquíssima experiência, percurso académico e intervenções nas comunidades fazem desta personalidade uma das mulheres, investigadoras e profissionais de referência em Portugal, destacada entre os pares. Muito obrigada por ter aceite o nosso convite”.

Cristina Vaz de Almeida, Presidente da SPLS.